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As Eleições
No último mandato, o CRN foi a face inconformada da Ordem dos Médicos. O ‘exercício do poder’ não constituiu qualquer obstáculo à prossecução dos objectivos traçados. Pensamos não ter defraudado os médicos do norte, e em especial aqueles que nos deram o seu voto de confiança. A lista A, que tive a honra de integrar, ganhou as eleições de forma inequívoca. O êxito alcançado foi a vitória da luta pelos médicos, pelo bem dos doentes e pelo cumprimento da coerência, honestidade e irreverência.
O nosso programa foi amplamente sufragado na região norte. Na região centro e na região sul os médicos escolheram claramente outros candidatos, representantes de outras listas concorrentes.
Neste contexto global, é necessário manter os nossos objectivos programáticos sem prejuízo de encarar os novos desafios directamente decorrentes do último acto eleitoral. As novas realidades são já conhecidas e vão exigir mais saber e trabalho de todos nós.
Nos próximos três anos, o investimento na formação dos médicos vai ser uma prioridade essencial. Como podem apreciar neste número da revista, existem já três cursos em fase avançada de concretização: curso de pós-graduação em direito da medicina, curso de suporte avançado de vida e curso de auditores de qualidade. Queremos uma classe médica moderna, actuante, atenta e interessada.
A actividade cultural continuará seguramente a merecer a nossa atenção. Ela tem contribuído para tornar a Secção Regional do Norte mais conhecida e já faz parte do roteiro cultural da nossa região. Artistas médicos e artistas de renome nacional e internacional já fazem parte do plano de exposições traçado para o ano de 2008. Cursos de desenho, pintura e fotografia já estão prontos a avançar. A música vem a caminho e já se sente no ar. Na parte lúdica, pensamos manter as festas de S. João e de Natal, e eventualmente encetar novos projectos nas áreas desportiva e educacional. Tudo isto para que os médicos sintam cada vez mais esta Casa como verdadeiramente sua.
Os distritos médicos vão constituir o cerne de muitas actividades consideradas essenciais para o crescimento da Secção Regional da Ordem dos Médicos como um todo. Neste sentido, e de acordo com o orçamento global da SRNOM, vamos continuar a dotar as Secções Distritais de sedes que sejam dignas e acolhedoras, para que muitas das actividades que acontecem no Porto possam também acontecer nos outros distritos.
Finalmente, gostaria de salientar algumas metas da faceta política da Ordem que considero relevantes no contexto actual. As carreiras médicas, adaptadas aos tempos modernos, terão de ser repensadas e assumidas de forma inequívoca pela Ordem dos Médicos, pois só assim teremos uma carreira sólida e transversal às instituições públicas e privadas. O Código de Ética e Deontologia médicas, já em processo de revisão, merece uma ampla discussão inter-pares que, no meu entender, poderá e deverá ser objecto de um referendo final à classe médica. A reforma dos cuidados primários de saúde deverá ser promovida e incentivada, com sentido de equidade para que as mesmas oportunidades estejam disponíveis para todos aqueles que, por opção, adiram às novas modalidades de organização, sempre com a preocupação constante de não deixar ninguém de fora. É que, sem cuidados primários dignos e eficazes, não há Serviço Nacional de Saúde que resista.
J. Pedro Moreira da Silva |
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